Pode fazer reforma de apartamento? Veja o que diz a legislação e principais responsáveis!

Reforma de apartamento
Tempo de leitura: 7 minutos

Resumo rápido: você conhece a lei reforma de apartamento? Obras nesse tipo de imóvel é uma oportunidade incrível para transformar a sua casa em um espaço mais funcional, bonito e alinhado ao seu estilo de vida. No entanto, ao contrário de reformas em casas térreas, intervenções em condomínios exigem cuidados específicos.

Reformar um apartamento é o desejo de muitos moradores que querem modernizar ambientes, ampliar a funcionalidade ou simplesmente renovar o estilo da casa. Porém, ao contrário do que muita gente imagina, esse processo não depende apenas de boas ideias e uma equipe de obra qualificada.

Existe um conjunto de regras específicas, conhecido como lei reforma de apartamento, que define o que pode ou não ser alterado dentro de uma unidade, quais documentos são obrigatórios e como o condomínio deve acompanhar cada etapa.

Entender essas exigências é fundamental para evitar retrabalhos, multas, interrupções e até riscos à estrutura do prédio. Por isso, antes de iniciar qualquer intervenção, é essencial conhecer os detalhes e responsabilidades que fazem parte de uma reforma bem executada.

Neste artigo, entenda o que a legislação prevê para esses casos. Confira, também, outras informações importantes para conduzir uma reforma tranquila do início ao fim. Continue a leitura e saiba mais!

O que é a lei de reforma de apartamento?

Lei sobre reforma de apartamento

A chamada “lei reforma de apartamento” não é uma única lei, mas um conjunto de normas e regulamentações que determinam como as reformas devem ser realizadas em condomínios residenciais.

O principal documento que orienta esse processo é a ABNT NBR 16.280, que estabelece as diretrizes para obras, alterações e manutenções realizadas dentro de unidades privativas.

Essa norma determina:

  • Como as reformas devem ser planejadas;
  • Quem pode executá-las;
  • Quais documentos são necessários para iniciar os trabalhos;
  • Como o síndico deve acompanhar e autorizar a obra;
  • Medidas de segurança para evitar danos ao edifício.

Além da NBR 16.280, também podem ser aplicadas outras normas ABNT, o Código Civil, regras do Corpo de Bombeiros, legislações municipais e o Regimento Interno do Condomínio.

Materiais de construção

Quando é necessário solicitar autorização?

Basicamente, uma reforma necessita de autorização da prefeitura quando implica em uma ou mais das seguintes alterações na edificação (comercial ou residencial):

  1. Acréscimo ou supressão da área edificada;
  2. Acréscimo ou supressão de estrutura;
  3. Compartimentação vertical;
  4. Acréscimo ou supressão de volumetria.

Contudo, no caso de reformas sem acréscimo de área construída, o Alvará de Execução deve ser solicitado quando as adequações técnicas ou intervenções em áreas privativas comprometerem a estrutura ou qualquer sistema da unidade, ou ainda quando provocarem alterações no projeto original.

Para ilustrar, segue uma lista de obras que exigem autorização da prefeitura:

  • Instalações de gás, hidrossanitárias e elétricas;
  • Instalações de equipamentos de prevenção e combate a incêndio;
  • Demolição ou construção de paredes de vedação;
  • Impermeabilização;
  • Instalação de ar-condicionado quando não está previsto no projeto original;
  • Fechamento de vãos;
  • Colocação e troca de esquadrias e seus componentes.

Principais regras, restrições e limites legais

Para garantir uma reforma segura e dentro da legalidade, alguns cuidados são obrigatórios:

Seguir o horário permitido para obras

Os horários variam conforme o regimento interno do condomínio, mas normalmente são:

  • Segunda a sexta: das 8h às 17h;
  • Sábados: das 9h às 14h;
  • Domingos e feriados: proibido.

Respeitar a estrutura original do prédio

É proibido:

  • Remover vigas, pilares ou lajes;
  • Alterar shafts de instalações;
  • Interferir em áreas comuns sem autorização.

Manter controle de resíduos da obra

Segundo normas ambientais, entulho deve ser descartado em local apropriado, nunca utilizado nas lixeiras internas.

Controlar ruídos

O síndico pode interromper a obra caso o nível de ruído ultrapasse limites legais ou ocorra fora dos horários permitidos.

Somente profissionais habilitados podem executar determinados serviços

Instalações elétricas, hidráulicas, estruturais e de gás precisam de acompanhamento técnico.

Documentação necessária para reformar

Antes de iniciar qualquer obra, é comum que o condomínio exija um conjunto de documentos. Entre os mais solicitados estão:

  • Plano de reforma detalhado conforme a NBR 16.280;
  • ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) ou RRT (Registro de Responsabilidade Técnica);
  • Cópia da identificação do responsável pela obra;
  • Documentação das empresas ou profissionais envolvidos;
  • Cronograma com início e término da obra;
  • Termo de responsabilidade assinado pelo proprietário;
  • Lista de trabalhadores autorizados a entrar no condomínio.

Somente após a aprovação do síndico a obra pode começar.

Importância da ART e da RRT

A ART, emitida por engenheiros, e a RRT, emitida por arquitetos, são documentos indispensáveis para qualquer reforma que interfira de forma relevante na estrutura, nas instalações ou na segurança do apartamento.

Esses registros formalizam quem é o profissional responsável técnico pela obra. Deixa claro que ela está sendo conduzida por alguém habilitado e capacitado para avaliar riscos, elaborar soluções e garantir a execução correta do projeto.

Além de assegurar maior segurança para moradores, vizinhos e para a integridade do prédio, a ART e a RRT também comprovam que a reforma está em conformidade com a NBR 16.280.

Outro ponto importante é que esses documentos definem a responsabilidade técnica caso surjam problemas futuros, como infiltrações, danos estruturais, falhas elétricas ou qualquer prejuízo decorrente da obra.

Por isso, sem ART ou RRT, o síndico tem respaldo legal para impedir o início da reforma. Garante, assim, que tudo seja feito com segurança, transparência e dentro das exigências obrigatórias.

Regras e Normas ABNT

Algumas das normas mais utilizadas em reformas de apartamentos incluem:

  • NBR 16.280: diretrizes para reformas em edificações.
  • NBR 5410: instalações elétricas de baixa tensão.
  • NBR 5626: instalações hidráulicas prediais.
  • NBR 15575-1: desempenho de edificações.
  • NBR 9077: segurança contra incêndio.

Essas normas existem para padronizar e garantir a segurança, o desempenho e a durabilidade das intervenções feitas no imóvel.

O que pode ser reformado?

Obras em apartamentos podem incluir uma série de intervenções, desde as mais simples até as mais complexas.

É possível realizar diversas melhorias em diferentes ambientes. Entre os espaços que mais recebem reformas estão a cozinha, o banheiro, a sala de estar, dormitórios e áreas de serviço — locais onde a troca de revestimentos, pintura, atualização de iluminação e instalação de móveis planejados costuma ser liberada sem grandes restrições.

Nessas áreas, também é permitido modernizar pisos, bancadas, louças, metais, portas e rodapés, desde que não haja impacto na estrutura ou na fachada.

Além dos ambientes internos, diversas manutenções são autorizadas dentro das unidades. Essas intervenções são importantes para manter o apartamento seguro e funcional, principalmente em prédios mais antigos onde a modernização das instalações é essencial.

Também é possível renovar acabamentos, realizar melhorias estéticas, corrigir problemas de infiltração, tratar rachaduras e promover ajustes que deixem os ambientes mais confortáveis e eficientes.

Leia também: Reforma de cozinha pequena: 10 dicas simples, mas essenciais

Tipos de reforma: internas, estruturais e emergenciais

Antes de iniciar qualquer obra, é fundamental entender que existem diferentes categorias de intervenção, cada uma com exigências, níveis de risco e responsabilidades específicas.

Internas

Envolvem mudanças que não afetam a estrutura do prédio, mas exigem responsabilidade técnica para garantir segurança e compatibilidade entre sistemas.

Alguns exemplos de reformas internas simples são:

  • Troca de revestimentos (pisos e paredes);
  • Pintura;
  • Instalação de móveis planejados;
  • Troca de louças e metais;
  • Instalação de iluminação;

Como reformas internas complexas, podemos citar:

  • Mudanças elétricas;
  • Atualizações hidráulicas;
  • Alterações em gás;
  • Substituição de janelas com a mesma tipologia aprovada pelo condomínio

Estruturais

As reformas estruturais são restritas e muito controladas. São as mais sensíveis, pois qualquer erro pode comprometer a segurança do edifício, e devem ser conduzidas exclusivamente por engenheiros capacitados.

Alguns exemplos são:

  • Remoção ou abertura de paredes portantes (somente com aprovação estrutural e ART específica).
  • Interferências profundas em shafts e colunas de carga.

Emergenciais

As emergenciais são intervenções que devem ser realizadas rapidamente devido a risco direto, como vazamentos, infiltrações graves, problemas elétricos ou panes de segurança.

O condomínio deve ser avisado imediatamente e pode autorizar a entrada rápida de técnicos mesmo fora do horário de obras.

Principais responsáveis pela reforma de apartamento

Uma reforma segura exige a participação de diversos profissionais, cada um com responsabilidades específicas:

Proprietário

É quem vai:

  • Contratar profissionais qualificados;
  • Seguir normas do condomínio;
  • Apresentar toda a documentação;
  • Acompanhar prazos e garantir o cumprimento das regras.

Síndico

É a pessoa responsável por:

  • Avaliar documentos;
  • Garantir que a reforma siga a NBR 16.280;
  • Fiscalizar circulação de trabalhadores;
  • Suspender a obra em caso de irregularidades.

Profissional responsável técnico

A presença de um arquiteto e/ou engenheiro é fundamental para:

  • Elaborar o plano de reforma;
  • Emitir ART ou RRT;
  • Acompanhar a execução;
  • Garantir segurança e conformidade técnica.

Equipe de obra

O time de profissionais que fará a execução do projeto deverá:

  • Seguir orientações do responsável técnico;
  • Cumprir prazos e normas de segurança;
  • Respeitar regras de circulação e descarte.

Etapas da reforma de apartamento

Para que a obra seja organizada, segura e eficiente, recomenda-se seguir uma sequência bem definida:

1. Planejamento

Tudo começa pelo planejamento, fase em que são feitas a definição do projeto, o levantamento de medidas, a escolha dos materiais e a contratação da equipe responsável.

2. Aprovação do condomínio

Depois, vem a aprovação do condomínio, que envolve a entrega da documentação exigida, a validação do síndico e a autorização formal para iniciar a obra.

3. Demolição e preparação

Com tudo aprovado, inicia-se a etapa de demolição e preparação. Inclui a remoção de revestimentos, a demolição de paredes permitidas e eventuais correções estruturais.

4. Instalações

Instalações elétricas prediais

Em seguida, são realizadas as instalações hidráulicas, elétricas, de gás e toda a infraestrutura necessária para automação ou ar-condicionado.

5. Acabamentos

Pintura de apartamento

Só então começam os acabamentos, como assentamento de pisos e revestimentos, pintura, instalação de portas, janelas, louças e montagem do mobiliário.

6. Limpeza e entrega

Por fim, chega a fase de limpeza e entrega, que envolve a limpeza pós-obra, a verificação final, a emissão de laudo quando necessário e a liberação do ambiente para uso.

Então, conseguiu entender como funciona a lei reforma de apartamento? Renovar o seu imóvel é totalmente possível e extremamente vantajoso, desde que você siga as regras corretas e respeite as normas do condomínio.

Com planejamento, responsabilidade técnica e comunicação transparente com todos os envolvidos, o processo se torna mais seguro, organizado e previsível, evitando problemas e garantindo que o resultado final esteja alinhado com o seu estilo e necessidades.

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Autor

  • Ricardo Cícero

    Ricardo é um profissional com mais de 20 anos de experiência no setor de materiais de construção e varejo, reconhecido por sua visão estratégica e inovação. Atuou como Gerente de Compras e Produtos na seção de Materiais Básicos e Pisos e Revestimentos da Obramax, desempenhando papel fundamental na criação e consolidação de um novo modelo de negócios para venda de materiais de construção.
    Atualmente, como Gerente de Compras e Produtos na Obramax desde abril de 2016, Ricardo tem sido peça fundamental na construção e consolidação de um novo modelo de negócios de revenda de materiais para construção.