Risco de Choque Elétrico: quais os cuidados e consequências

Risco de choque elétrico

O risco de choque elétrico é um assunto sério e pode se manifestar em vários tipos de ambientes. Embora muitas pessoas achem que esses riscos só ocorrem em atividades profissionais que envolvem eletricidade, não é bem assim…

Dentro de casa também existem inúmeros focos de energia que podem se tornar perigosos quando certos cuidados não são seguidos. Esses problemas, muitas vezes, podem ser evitados de maneira simples com o conhecimento de algumas medidas básicas de segurança.

Se você é um eletricista ou outro profissional que trabalhe com eletricidade, ou somente uma pessoa que deseja estar mais segura contra esse tipo de acidente, esse artigo é para você. No decorrer do conteúdo, falamos sobre o que é choque elétrico, principais riscos de choque elétrico, como evitar e uma dica extra lá no final do conteúdo.

Boa leitura!

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Afinal, o que é um choque elétrico?

Em síntese, o choque elétrico é a passagem de uma corrente elétrica pelo corpo. Ou seja, a corrente utiliza o corpo como um condutor, circulando por dentro e podendo causar efeitos graves, até mesmo fatais.

De maneira geral, essa passagem de corrente elétrica pode acontecer de duas formas: direta ou indireta. No contato direto, como o nome indica, a pessoa é exposta à partes energizadas de uma instalação elétrica. Por outro lado, no contato indireto, a pessoa entra em contato com alguma parte de um equipamento que não foi devidamente isolado e, por isso, está energizado.

Considerado um dos acidentes elétricos mais comuns, o choque elétrico pode estar presente em diversas situações do dia a dia. Afinal, com certeza em algum momento você encostou em uma superfície e sentiu um choque, mesmo que pequeno, não é mesmo?

No entanto, nem todo choque será assim, uma vez que o nível da gravidade depende dos seguintes fatores:

  • Intensidade da corrente elétrica: naturalmente, quanto maior for a corrente, maior é a lesão;
  • Tempo de exposição à corrente elétrica: dependendo da intensidade da corrente, poucos segundos já são suficientes para causar danos graves;
  • Percurso pelo corpo humano: mesmo que o percurso da corrente elétrica no corpo dependa do contato que a pessoa tem com a instalação energizada, a sua movimentação é um pouco imprevisível.Contudo, vale destacar que caso ela passe pelo coração, por exemplo, pode representar um grande risco à pessoa, uma vez que acelera o ritmo cardíaco.

    Já se a pessoa estiver em um piso isolante e com uma das mãos em contato com o condutor fase e a outra em um condutor neutro, a corrente passará pelo tórax antes de sair pelas mãos. Isso pode ser complicado, afinal, nessa região estão órgãos vitais para a circulação de sangue e respiração.

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Materiais Elétricos

Principais riscos de choque elétrico

Como explicamos, o risco de choque elétrico é mais comum do que imaginamos. Sendo assim, é crucial conhecer as consequências que essa alta tensão pode provocar no corpo humano, uma vez que existem até mesmo casos em que isso pode ser fatal.

Para ilustrar, 853 acidentes graves por choque elétrico foram registrados no Brasil em 2022, sendo que 69% deles deixaram vítimas fatais.

Então, confira abaixo uma relação dos principais efeitos do choque elétrico:

Parada cardíaca ou respiratória

Danos do choque elétrico

Sem dúvidas, a possibilidade de uma parada cardíaca ou respiratória é um dos principais riscos do choque elétrico. Como mencionado no tópico anterior, quando a corrente elétrica passa pelo tórax, ela pode causar alteração do ritmo cardíaco e resultar numa parada cardíaca.

Lembre-se que o coração é responsável por liberar toda a circulação de sangue pelo corpo, portanto, o choque elétrico pode deixar tanto o cérebro quanto os tecidos do corpo sem oxigênio.

Explicando melhor: quando as correntes elétricas ficam na faixa entre 100 mA e 200 mA, ocorre uma fibrilação ventricular. Ou seja, uma contração desritmada do coração. Vale destacar que é muito difícil que o coração se recupere de uma fibrilação sozinho. Portanto, neste tipo de situação, o uso do desfibrilador é fundamental para restabelecer o ritmo normal do coração.

No entanto, quando a corrente ultrapassa os 200 mA não são tão perigosas quanto as de 100 mA, uma vez que as contrações musculares do coração são tão violentas que o órgão permanece paralisado – isso aumenta a possibilidade de sobrevivência da pessoa submetida ao choque.

Além da parada cardíaca, também temos o risco de asfixia. Ele existe quando a corrente elétrica está acima de 20 mA e pode cessar completamente ao atingir 80 mA . Neste caso, o diafragma se contrai e cessa a respiração, por isso, a intervenção deve ser rápida em um intervalo inferior a 3 minutos.

Contração muscular

Outra consequência comum do choque elétrico é a contração muscular, provocada pelo estímulo que o músculo sofre com correntes superiores a 10 mA. Aliás, quando a força da contração é muito grande, ocorre um fenômeno de tetanização, onde o músculo fica completamente paralisado.

Para quem já teve câimbras no músculo, é algo bem parecido, contudo, não é possível mexer o corpo (e por tabela, desvencilhar-se do condutor de energia).

Queimaduras

Você sabia que parte da energia elétrica que passa pelo corpo de quem recebe um choque elétrico é liberada em forma de calor? Assim, dependendo do nível da descarga elétrica, é possível sofrer com:

  • Queimaduras de primeiro até terceiro grau no corpo;
  • Aquecimento do sangue, que também pode derreter ossos e cartilagens;
  • Queima de terminações nervosas e das camadas adiposas do corpo;
  • Se a tensão do choque for grande demais, além da queima, também pode causar buracos na pele, especialmente nos pontos onde a corrente elétrica atravessa o corpo.

Danos no cérebro

Já o risco de choque elétrico no cérebro traz consequências bem graves, como:

  • Edema cerebral;
  • Aquecimento do cérebro;
  • Dilatação do cérebro;
  • Perda nos comandos;
  • Isquemia cerebral (presença de um fluxo de sangue e oxigénio inadequado)
  • Perda da fala, visão e memória;
  • Movimentos do corpo comprometidos;
  • Atrofia ou perda de massa muscular;
  • Falhas na coordenação motora.

Danos renais

Por último, outro risco de choque elétrico é quando ele atinge os rins, gerando assim, complicações como insuficiência renal ou incontinência urinária.

Além disso, as descargas elétricas podem queimar tecidos internos que, por sua vez, liberam uma quantidade de mioglobina — uma substância tóxica para os rins. Entretanto, a maior parte dos problemas renais se manifestam após um período que o choque ocorre, portanto, torna-se difícil relacionar os sintomas com o acidente elétrico.

Como evitar o risco de choque elétrico

Agora que conhecemos os principais riscos do choque elétrico, é importante explicar boas práticas para minimizar os riscos desses tipos de acidentes. É válido reforçar que, seguindo cuidados básicos, mesmo nos casos em que a proteção não seja 100% eficiente, será possível reduzir os impactos do acidente. Dito isso, veja algumas dicas de proteção contra choques elétricos em ambientes residenciais e comerciais:

  • Ao entrar em contato com equipamentos elétricos, sempre utilize um calçado isolante em materiais como borracha;
  • Mantenha os equipamentos elétricos afastados de locais úmidos e com fonte de água;
  • Não toque em equipamentos elétricos com a mão molhada ou úmida;
  • Não sobrecarregue uma tomada com vários equipamentos;
  • Realize manutenções periódicas nas instalações elétricas;
  • Não faça manutenções e atividades em sistemas elétricos sem ter a devida instrução e treinamento;

Já para eletricistas, existe uma norma específica para garantir a qualidade e segurança para trabalhos em sistemas elétricos: a NR 10.

Ela estabelece condições mínimas de segurança para profissionais que têm contato direto ou indireto com eletricidade, destacando os equipamentos de proteção individual e coletivo necessários para exercer a profissão com eficiência e segurança, por exemplo:

Quer saber mais sobre a NR 10 e os principais EPIs para eletricistas? Confira nosso artigo!

Dica extra: primeiros socorros para choque elétrico

Para finalizar o artigo com chave de ouro, preparamos uma dica extra (que esperamos que nunca seja usada), mas é sempre bom saber: afinal, como realizar os primeiros socorros para choque elétrico?

De acordo com o Portal Tua Saúde, o passo a passo a ser seguido é:

  1. Corte ou desligue a fonte de energia sem tocar na vítima;
  2. Na sequência, afaste a vítima da fonte elétrica com o auxílio de materiais não condutores e secos, como madeira, plástico, panos grossos ou borracha;
  3. Chame uma ambulância, ligando para o número correspondente da sua cidade;
  4. Verifique se a pessoa está consciente e respirando;
  5. Caso a vítima esteja consciente, acalme-a até a chegada da equipe médica;
  6. Se estiver inconsciente, mas respirando, deite-a de lado, colocando-a em posição lateral de segurança;
  7. Se estiver inconsciente e não respirando: inicie a massagem cardíaca e a respiração boca-a-boca.

Esse último passo dos primeiros socorros devem ser repetidos até que a ajuda médica chegue.

Conclusão

Ao longo deste conteúdo, explicamos melhor o risco de choque elétrico e por que essa situação exige muita atenção, seja em ambiente residencial, comercial ou em atividades profissionais.

Vale ressaltar que é fundamental reconhecer que a segurança elétrica não é apenas uma responsabilidade individual, mas também uma obrigação coletiva que envolve regulamentações adequadas, educação pública e práticas seguras.

Seguindo medidas preventivas para mitigar os riscos elétricos, é perfeitamente possível proteger vidas, estruturas e garantir ambientes mais seguros para todos.

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Autores

  • Victor Fruges
  • Marco Lima

    Jornalista com ampla experiência em Marketing Digital com foco em conteúdo para web. Atua desde 2021 na produção de artigos para o blog da Obramax em conjunto com especialistas técnicos no segmento da Construção Civil.